10 SÉRIES PARA FAZER MARATONA


Quer começar a assistir uma série mas tá com preguiça de começar uma que possui muitas temporadas? Então confira essas 10 séries listadas abaixo, que possuem entre 7 a 13 episódios com somente uma única temporada até o momento.


Baseado no livro biográfico homônimo de Sophia Amoruso, dona da empresa de moda Nasty Gal, a série começa quando ela, cansada de se adaptar a trabalhos "comuns", decide vender roupas que achou em brechós e revender através do eBay. Determinada, rebelde e com uma personalidade difícil, Sophia percebe o crescimento de seu pequeno negócio até se tornar referência na região. Ao longo da trama, acompanhamos sua maturidade ao lidar com o negócio, sua dificuldade em lidar com críticas e ajudas, o conceito de lealmente e humildade perante às pessoas que mais gosta e, acima de tudo, seu lugar no mundo. Apesar de alguns exageros, é uma série engraçada que pondera a batalha de uma jovem mulher no mundo dos negócios.

Total de episódios: 13



A famosa batalha épica entre duas veteranas de Hollywood, Bette Davis e Joan Crawford, é retratada brilhantemente pelo criador Ryan Murphy em "Feud". Bette (Susan Sarandon assustadoramente igual à atriz) e Joan (Jessica Lange) travam batalhas de egos durante as suas vidas, atingindo o ápice quando contracenam juntas no filme "O Que Terá Acontecido a Baby Jane?". Filme que rendeu todos os rumores e fofocas do conflito entre as duas, assim como a grande mágoa por Joan ter sido esnobada no Oscar de Melhor Atriz, enquanto sua rival acenava feliz pela indicação. Ao retratar essa rivalidade, o autor não se preocupa apenas em relatar os fatos conhecidos ao público, mas também em mostrar que a semente da discórdia foi plantada pelo grande patriarcado da "indústria" hollywoodiana e que por isso, dois ícones de talento e beleza jamais poderiam estar lado a lado.

Total de episódios: 8


Drama biográfico, criado e escrito por Peter Morgan (responsável pelo igualmente prestigiado "A Rainha" de 2006), sobre os primeiros anos que a rainha Elizabeth II assumiu a coroa. A série com o custo mais caro da história do Netflix, com cenários deslumbrantes do Palácio de Buckingham e figurinos fiéis à história, conta com uma atuação marcante de sua protagonista ao retratar a complexa dualidade em se tornar figura pública e política de sua nação e seu papel de mãe, esposa e irmã perante seus familiares. Destaque também para a atuação do primeiro-ministro Winston Churcill, responsável por grandes conquistas históricas da Inglaterra. 

Total de episódios: 10



O atual recordista de indicações ao Emmy, 22 indicações, chegou no final do ano passado e promete ser uma daquelas séries que irá crescer a cada temporada. A história gira em torno de um parque temático de faroeste, dedicado à diversão de ricos, povoado por androides que não fazem ideia de que são programados para agir e se expressar conforme são programados. A partir de um roteiro brilhante e com o cacife de produção proporcionado pela HBO, a série se torna uma das obras mais complexas e intrigantes do momento, ao ponto de ser recomendada a ser assistida novamente ao terminar a primeira temporada para compreender melhor esse universo.

Total de episódios: 10



Recém lançada, o grande trunfo de "Atypical" é conseguir ser engraçada ao contar a história de um jovem autista, na sua busca por uma namorada e sua independência, sem ser ofensiva. Outro trunfo, é focar também na relação do excêntrico protagonista com a sua família, criando arcos próprios no roteiro para desenvolver o efeito da existência da doença pairando sobre as decisões dos membros da própria família. Temos uma mãe superprotetora que pela primeira vez redescobre sua identidade, uma irmã durona com o peso de ajudar seu irmão e o pai que aos poucos vai entendendo seu filho. Uma comédia hilária, simples e inteligente.

Total de episódios: 8



Uma boa notícia para quem não gosta de séries com muitas temporadas: "American Crime Story" é uma minissérie e, portanto, são antológicas e não terão relação uma temporada com a outra. Na primeira temporada, temos a história real do O.J. Simpson, famoso jogador de futebol americano, que parou os Estados Unidos em 1995 ao ser acusado de assassinar sua ex-mulher e um amigo dela. A série recorre ao longo julgamento do protagonista, que teve grande destaque da mídia, sendo processado pelo Estado ao comando da determinada promotora de justiça Marcia Clark (interpretada impecavelmente pela Sarah Paulson, que recebeu todos os prêmios de Melhor Atriz possível pelo papel). O maquinismo da mídia sensacionalista, o poder do dinheiro sobre a justiça e a difícil tarefa em ter uma posição importante sendo mulher, no caso da personagem da Sarah Paulson, faz essa uma das séries mais fiéis ao relato histórico.
Está disponível na Netflix!

Total de episódios: 10



A misteriosa e espiritual série da Netflix, "The OA", começa com a chocante volta da protagonista, que era cega, a sua casa após sete anos de cativeiro, recuperando sua visão. Em paralelo, a série introduz uma teoria sobre o poder da vida após a morte, porém fica em aberto (para quem sabe uma próxima temporada?) as reais motivações e verdades ditas por OA. No entanto, dentre tantas teorias e rumos que a série possa seguir, a primeira temporada tem uma sensibilidade ímpar em focar na união do pequeno grupo liderado por OA, que são acolhidos e criam ligações, seja por solidão, seja por serem mal compreendidos, não importando muito as reais intenções da misteriosa OA.

Total de episódios: 8



Baseado na utopia do livro de Margaret Atwood, "O Conto da Aia", a série não poderia surgir em momento mais oportuno. Apesar do caráter utópico possui várias características de dominação veladas pela sociedade atual. O controle estatal do corpo das mulheres, a ameaça aos direitos historicamente adquiridos, a vigilância por seus pares, o fanatismo religioso sobre a sexualidade, dentre outros aspectos, não parece tão utópico quando listados dessa forma. Além do mais, a releitura dessa obra pode servir de alerta para várias ameaças sobre os direitos das mulheres, seja por lei ou apenas por um comentário "sarcástico" do atual presidente dos Estados Unidos. Na caótica realidade retratada na série, onde políticos partidários dizem que mulheres não possuem direitos e que racistas e homofóbicos emergem de suas catacumbas morais, obras que evidenciam a importância dos direitos humanos precisam ser produzidas e vistas.

Total de episódios: 10


Com uma estreia discreta, a Netflix lançou na metade de março "Anne With an E", história sobre a tocante e divertida trajetória da adorável órfã Anne Shirley (Amybeth McNulty), que, por engano chega à casa de um casal de irmãos solteiros e sem filhos, Marilla (Geraldine James) e Matthew Cuthbert (R.H. Thomson), onde pretendiam adotar um menino para ajudar nas tarefas da fazenda que habitam, Green Gables. Em sete episódios, a série emociona e diverte o espectador ao mesclar situações leves com temas fortes, como abandono, abuso infantil, solidão e bullying. Mas acima de tudo, o grande diferencial da série não está apenas em mostrar situações difíceis, mas sim, em focar na evolução do afeto da protagonista com sua nova família. Envolvente do início ao fim.

Total de episódios: 7


A grande surpresa, pessoalmente falando, dos últimos anos, sem medo de errar, é a honestidade da releitura baseada no livro homônimo de Liane Moriarty, "Big Little Lies". Composto por um elenco avassalador, com destaque para a Reese Witherspoon e Nicole Kidman (deem o Emmy para essa mulher!), a série retrata a vida de várias mulheres de classe média alta em uma cidade americana, buscando seus filhos no colégio e tendo, aparentemente, vidas felizes e comuns. O que fica bastante claro, desde o início, é que algo muito errado está em torno dessas mulheres, que misteriosamente estão envolvidas em um assassinato. Logo percebemos o preço alto de seus segredos e as pequenas mentiras que contam uma a outra para manter as aparências, e principalmente, as grandes mentiras que contam para si mesmas por medo do que possa acontecer. A verdade é uma dor violenta, mas a mentira pode causar dores eternas.

Total de episódios: 7

INDICADOS AO OSCAR 2017 DE MELHOR FILME: DO PIOR AO MELHOR


Domingo de carnaval, dia 28, enquanto outros estarão comprometidos com a folia da data, alguns como eu, estarão ansiosos para assistir o Oscar 2017. A mudança nos membros votantes da Academia deu certo e se compararmos aos indicados do ano anterior, perceberemos uma notória diversidade nas produções e nos artistas indicados. Para quem não lembra, ano passado teve a campanha #OscarSoWhite após não ter nenhum ator negro indicado em nenhuma das quatro categorias de atuação. A polêmica obrigou a Academia a reformular seus critérios de avaliação e alguns membros votantes. Resultando assim, em indicações, e por consequência a principal função do Oscar, a valorização de produções independentes com temáticas pertinentes à um país governado por Donald Trump, como: imigração, mulheres negras em ambientes racistas e machistas, direitos LGBT, superfaturamento de agências bancárias, o pacifismo em contraponto à um cenário de guerra e a valorização de artistas - até porque sem eles, não teríamos como contar essas histórias fantásticas.


Dos palcos da Broadway para o cinema. A adaptação da peça homônima, no original "Fences", de August Wilson, é dentre os indicados o mais esquecível. Porém, existe dois componentes memoráveis na história dirigida por Denzel Washington: o roteiro brilhante, verborrágico e carregado de verdades oprimidas pelo conformismo de uma vida a dois e a atuação de Viola Davis, que certamente já garante seu Oscar dessa vez. Denzel, que também é a estrela do longa, entrega uma atuação digna mas é completamente ofuscado pela personagem de Viola, que trás na sua personagem o amargo de viver atrás de um homem que por vezes não reconhece a grande mulher que tem. E isso absolutamente foi o que mais me incomodou no filme.


Baseado na história real do soldado Desmond Doss, o primeiro Opositor Consciente a receber uma medalha de honra americana, apesar de fazer homenagem à incrível jornada de seu protagonista, cai na armadilha do ego patriota em contar apenas o lado americano, como sempre, a dos "mocinhos" que protegem o mundo. Andrew Garfield (o Homem-Aranha para quem não lembra!) é o grande destaque do filme em uma entrega total ao seu personagem, que recusa a pegar em armas em um cenário drástico de violência e ódio. O diretor Mel Gibson mostra que sabe melhor fazer um épico de guerra, como nas cenas de corpos incinerados e mutilados em quase 40 minutos de brutalidade visceral, do que em desenvolver subtramas como a visão que os americanos têm de seu inimigo, ficando por vezes preguiçoso em um roteiro amador.


Dois irmãos, um ex-presidiário e um pai divorciado, assaltam bancos para se restabelecerem financeiramente após a fazenda da família ser tomada por dívida e taxas de juros. Ilustrando de imediato o preconceito do povo texano por eles considerados "mestiços", "índios" e "mexicanos", "A Qualquer Custo" curte uma doce ironia ao ver os ianques sofrendo nas mãos dos bancos, que lhe tiram as terras da mesma forma que estes as tiraram de outras tribos no passado. A presença do poder econômico como um vilão sedutor é sentida durante toda a projeção, que enfatiza os anúncios publicitários de bancos oferecendo empréstimos imediatos e fáceis, omitido sempre a taxa de juros. Nesse sentido, o moderno faroeste funciona como um porta-voz para os americanos menos favorecidos e nos lembra que nem tudo são rosas na "terra das oportunidades".


Apesar da história de três mulheres negras terem contribuído muito para que a NASA conseguisse colocar um dos primeiros homens no espaço, mesmo sofrendo inúmeras resistências por causa de sua cor de pele e por estarem também em um ambiente machista, ser fantástica por si só, "Estrelas Além do Tempo" comete um erro considerável em uma biografia digna de filme: a pieguice. Fica notório a artificialidade de certos eventos na intenção de comover o espectador, não confiando no seu poder narrativo e verídico. Porém, a história merece ser contada e conhecida. E este é o principal valor do filme.


Impactante, crú e realista. "Manchester à Beira-Mar" é um filme que incomoda desde os primeiros minutos. O jogo construído pelo diretor te puxa e te afasta do filme a cada cena. Os diálogos, principalmente nas cenas menos infelizes, reverberam no resto da história e pontos são pinçados de maneira a questionar o protagonista e revelar o grau de sofrimento e dor que guarda para si e afeta diretamente sua relação com os outros. O luto está no rosto de Casey Affleck, paralisado e sem palavras, apesar da inexpressividade de seu personagem, o ator convence em cada segundo sua atuação fantástica e digna de todos os prêmios possíveis. Não é um filme preocupado em agradar o espectador. O objetivo aqui é mostrar a realidade de continuar vivendo mesmo tendo morrido um pouco por dentro. E de uma forma tão visceral e honesta, vinda de uma produção Hollywoodiana, o filme está acima "do que se pode esperar".


Outra biografia digna de filme indicado ao Oscar, aqui temos o menino indiano Saroo que se perde da família na Índia após entrar em um trem e acabar em Calcutá, onde está a mais de mil quilômetros de casa. Sua vida melhora após ser adotado por um casal australiano, obstinados a conceder uma vida melhor ao garoto. Apesar de sua confortável vida já em fase adulta, Saroo (Dev Patel) não se conforma em não encontrar sua família e tenta imediatamente procurá-los. O contraste do filme, primeiro focando na infância miserável do garoto ambientada na Índia e em Calcutá até a privilegiada vida na Austrália, é muito bem construída pela direção de arte a ponto que cumpre um certo poder narrativo de conceder a quem assiste a compreensão sobre os questionamentos do protagonista, que embora tenha uma vida privilegiada no momento, não abre mão de reencontrar suas origens e de lembrar quem foi. Arrastado no meio, mas brilhante no começo e no final, "Lion" destrói seu coração mas promete remendá-lo depois.


Para começar, eu assisti esse filme sem ler nenhuma sinopse ou crítica e isso foi fundamental para a percepção que tive ao assisti-lo. Portanto, creio que devo fazer o mesmo para quem estiver lendo para que, quem sabe assim, sua versão do filme seja tão boa quanto foi a minha. "Moonlight" deveria ser obrigatório e repassado às escolas primárias. É um soco no estômago, uma pancadaria na alma. Um menino com potencial que foi surrado e excluído até se transformar no esteriótipo que a sociedade quer ver: o homem negro marginalizado. Mas ainda assim o filme foge do previsível, introduzindo personagens atípicos de seus rótulos e modificando a trajetória de vida, renegada e escondida, do protagonista Chiron.


A unidade do tempo e sua multidimensionalidade provocando no espectador o significado da finitude da vida. Unindo ficção científica com drama existencial, "A Chegada" consegue o destaque primordial ao mote comum na Hollywood dos "blockbusters".  Embora o filme apresente algumas cenas de ação e excelentes efeitos visuais, tais recursos servem fundamentalmente para ilustrar a narrativa cujo o cerne passa distante de invasões alienígenas, explosões reiteradas ou a destruição em massa de cidades. Trata-se de uma proposta de edificação humana, e não destruição. Utilizando contar uma história não-linear, o filme tenta emitir o completo papel do ser humano como uma "arma" ou "agente de mudança" e o põe no centro de importância universal, como catalisador de seu próprio destino. Petulante, sem dúvida, porém primorosamente poético.


Fecho meus olhos e lembro da maioria das cenas de "La La Land". Esse é o maior legado de um promissor clássico e não tenho dúvidas que o grande queridinho das premiações deste ano irá se tornar um. Ambientado em Los Angeles, "a cidade dos sonhos", logo somos introduzidos a intensidade dos jovens promissores em busca de seus ambiciosos sonhos, em um ritmo singular da música enervante de abertura "Another Day of Sun". Mia (Emma Stone) deseja tornar-se atriz e trabalha em uma cafeteria dos Estúdios Warner. Sebastian (Ryan Gosling) quer abrir seu próprio bar de jazz, acreditando que a música contemporânea está carecendo. Dois jovens, dois sonhos. Presos em uma cidade prometida que existe muito talento para disputá-la. O musical romântico de Damien Chazelle não é apenas sobre buscar seus sonhos, ou tampouco sobre o amor. É sobre os dois disputando espaço em um coração jovem. Chazelle, que sempre trás forte referência da música em seus filmes, concedeu-nos um leque de canções memoráveis nas mais recorrentes variações de sentimentos dos protagonistas, que representam o "eu interno" em cada um de nós. Que nada mais é do que: queremos ser vistos por alguém na multidão (como a maravilhosa canção "Someone in the Crowd") porém precisamos primeiro estar prontos para sermos encontrados.

TOP 10 MELHORES FILMES DE 2016


Mais um ano termina, outro começa. E com isso, nos trás a sensação de reflexão do que fizemos durante o ano todo e do que ainda queremos fazer no próximo. 2016 se tornou um ano para aqueles que resistem, daqueles que ainda estão dispostos a dar a cara para bater e daqueles que aprenderam a não ter medo da difícil arte que é viver.
Apesar dos complicados cenários políticos e pessoais a parte, o cinema, como sempre, chega ao espectador como forma de refúgio, de sabedoria, de criação e de crítica. 2016 nos trouxe um excelente leque de filmes de terror - gênero defasado por anos de roteiros fracos - filmes independentes com estrelas promissoras e filmes com temáticas diferentes para abrir a cabeça de uma sociedade ainda muito "careta".
Então, vamos conferir os 10 melhores filmes de 2016 que tive o prazer de assistir, considerando sua estreia no Brasil.

Obs: filmes como "A Chegada", "Doutor Estranho" e o novo do Star Wars ainda não consegui assistir, portanto, releve sua ausência.


Como suspense, "O Homem nas Trevas" jamais consegue errar. Possui uma narrativa envolvente e tensa que se sobrepõe, felizmente, aos clichês do gênero, e é parcialmente bem conduzida até o final. Possui um arquétipo interessante sobre "quem realmente é o vilão?" e uma edição precisa, que utiliza por exemplo cenas escuras para revigorar o poder do protagonista cego e consequentemente, do público. Metaforicamente, seu título original em inglês "Don't Breathe" é talvez a única saída para sobrevivência de certos personagens, assim como a reação natural para quem assiste.


"Aquarius" causou polêmica por ser acusado de apoiar a corrupção, principalmente depois do elenco e do diretor, Kleber Mendonça Filho, protestar no Festival de Cannes de 2016 contra o golpe de Michel Temer. Polêmicas a parte, o grande filme brasileiro do ano é uma crônica urbana simplista com sutis críticas sociais centrada em Clara (Sônia Braga) que não se encaixa em um mundo atual que não respeita o legado do passado. Sônia Braga entrega uma performance complexa, em um balanço entre mulher forte e resiliente com uma sensibilidade trazida pelas memórias de sua personagem, seja pelo espaço em si, seja por uma música ou um simples objeto.


Um exemplo perfeito sobre como pegar um clássico - criado por "Tubarão" de Steven Spielberg - e mesclar com elementos de nossa geração - já utilizado pelo diretor - em mostrar conversas da protagonista Nancy (Blake Lively), isolada em uma praia paradisíaca, com familiares via rede sociais, mostrando seu luto pela recente morte de sua mãe e seu objetivo em estar ali como uma forma de homenageá-la. No entanto, é atacada por um tubarão e seu terror começa, trazendo sua necessidade de sobrevivência assim como sua mãe durante anos lutando contra o câncer.


O filme que trouxe o suado Óscar de Melhor Ator à Leonardo DiCaprio e o segundo Óscar consecutivo ao diretor Alejandro G. Iñárritu, "O Regresso" apresenta estruturas épicas em seus cenários e produção técnica graças a ideia megalomaníaca do seu diretor. Contudo, o roteiro é simples: um homem tentando sobreviver a uma forte nevasca em busca de vingança. Mas o segredo aqui é a forma de execução, exemplificando a famosa cena do urso que ataca o protagonista, é apenas um dos primorosos exemplos de um filme que já nasceu como um clássico.


Pragmatismo versus erudição. Modernidade versus retorno à "vida simples". "Ser" versus "ter". O filme de Matt Ross intencionou expor o choque de realidades pertinentes ao mundo contemporâneo. No entanto, os assuntos mais espinhosos são entremeados por um humor que os suaviza e de uma emoção cativante onde tudo que importa é estar ao lado dos "seus", antes mesmo do que qualquer ideologia. Interessante destacar também, a peculiar família construída por um hippie marxista e seus filhos doutrinados, sem contato direto com o mundo "civilizado" (vamos escrever a-s-p-a-s) através de um roteiro que jamais fica ridículo mesmo sendo insano.


Antes de qualquer coisa, queria dizer: a trilha sonora deste filme ecoa em minha cabeça como se fosse recente e eu o assisti na época da temporada de premiações. Mas "Carol" não é somente um ótima reconstituição dos anos 50, duas atuações femininas poderosas e a temática LGBT. Não trata da homossexualidade como catalisador da trama, mesmo tendo a questão do preconceito personificado principalmente no ex-marido chantagista, Carol (Cate Blanchett rainha) nunca usa desse pretexto para desenvolver a relação com seu novo amor: Therese (Rooney Mara). E é nesse contexto que sobretudo é um filme sobre o amor, e não a dificuldade em vivê-lo.


A versão neozelandesa do Wes Anderson, só que engraçada. O filme nos presenteia com um humor inteligente e, em dados momentos, pouco convencional, que nos deixa aliviados e restaura a nossa fé em comédias modernas. Além da carga humorística, "A Incrível Aventura de Rick Baker" trata de assuntos mais profundos, dando aos seus protagonistas um sentido a vida e uma noção de família, afeto e companheirismo. Rick (Julian Dennison) de amargurado por ser órfão e largado por várias famílias, se torna cativante e esperançoso a medida que estabelece o que sempre desejou: um companheiro para suas aventuras.


Importantíssimo o espaço, ainda que seja modesto, que as premiações hollywoodianas estão deixando filmes independentes terem e portanto, presenteando o público mainstream com filmes fortes e bem realizados como "O Quarto de Jack". Thriller psicológico adaptado do livro homônimo, que retrata de forma única uma vida de privação e a pressão absurda de adaptação através do menino - nascido em um quarto de poucos metros quadrados - e sua mãe - que sabe que existe um mundo lá fora e que lhe foi tomado repentinamente. Além da recente liberdade, ter sua vida invadida pela mídia e centenas de curiosos, assim como o preconceito de seus próximos.


O sul-coreano "A Criada" sempre está um passo a frente de seu espectador. Em uma edição precisa, o filme nos engana diversas vezes e nos concede vários plot twist, fora e dentro do filme. Com requintados figurinos nipônicos e referências clássicas ocidentais, temos no centro três figuras misteriosas: uma herdeira rica, sua criada e um homem que deseja casar-se e se dar bem. A partir disso, como sou anti-spoiler, não há o que dizer mais. Além, claro, de seu irresistível poder erótico e de sua descontextualização do desejo mais secreto em todos nós.


Nunca imaginei que um dos meus filmes favoritos, não só do ano, seria sobre invasão zumbi. Mas ao misturar elementos do gênero de forma direta como o público alvo almeja, engana-se quem pensa que o filme possa ser definido apenas como tal. Um pai, não muito presente, decidi viajar de trem com sua filha até a casa de sua ex-mulher. No entanto, assim como os outros passageiros, não percebeu que o país foi aos poucos caindo com uma recente invasão de mortos-vivos. E quando apenas uma passageira está contaminada, o caos se propaga. Entre duas horas de duração, o longa sul-coreano possui excelentes cenas de ação, muito sangue e uma forte carga emocional, reconstituindo ligações perdidas e ensinando o poder de fazer o bem.